FOSS

28 de abr. de 2022

Tempo de leitura: aprox. 6min

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O que é FOSS?

FOSS é a abreviação de Free and Open Source Software1, que significa Software de Código Aberto e Livre. E sim, é livre e não gratuito - já fica claro por que a diferença! É um termo utilizado para mencionar projetos de software que sejam livremente distribuídos para qualquer um que queira usar - e, se quiser, até alterar o código para uso próprio!

Uso livre vs proprietário

Ser de uso livre não significa que o software pode ser usado sem responsabilidade (geralmente FOSS possuem um termo de uso como qualquer outro software), mas que o software está disponível livremente para qualquer um que quiser usar.

E é interessante diferenciar a ideia do uso livre com o software proprietário. No primeiro caso, todo e qualquer usuário do software também é detentor do mesmo. Isto significa que, uma vez baixado o software, ele é seu para sempre. Mesmo que seja uma companhia que faça o software e faça a manutenção do código, ainda assim ela não é a única a possuir o projeto. Um exemplo de compania de criação de FOSS é a Blender Foundation , que sustenta o desenvolvimento do Blender por uma equipe de funcionários juntamente com a comunidade. E, sendo FOSS, a compania se compromete a permitir o uso do software de forma livre e gratuita para todo mundo que tiver acesso a ele.

Já quando se fala em software grátis apenas, é possível que seja um software proprietário. Um exemplo de software que tenho conhecimento em ser gratuito e proprietário é o FireAlpaca . Acontece que, caso um dia a PGN Inc. decida que não quer mais distribuir o software, ela pode fazê-lo e, inclusive, dependendo dos termos de uso, exigir que aqueles que têm o software passem a pagar pelo produto ou aluguel do programa.

Para facilitar o entendimento, o FOSS é o software que, quando você o tem, é seu. O código-fonte te pertence. Cada linha de código está visível para você ver como o software funciona e alterar a seu belprazer. Já o não-FOSS é o software cujo código-fonte pertence a outra pessoa ou a uma empresa.

Liberdade vs gratuidade

Eu mencionei acima que o termo free em FOSS significa livre e não gratuito. Isto porque o software pode ter um preço a ser cobrado. Um software que tem esse funcionamento é o DAW Ardour (quem sabe um dia falo dele por aqui? Por ora não tenho segurança para usá-lo de forma profissional sem procurar tutoriais como outros softwares que uso): algumas versões compiladas têm a versão gratuita de teste (não bloqueia, apenas pede para pagar um valor no site) e a versão completa - que é possível adquirir com apenas US$ 1. Outro nessa linha é o Aseprite , que você pode compilar por conta própria ou comprar a versão já compilada.

Então você pode pensar: “Não seria melhor um software gratuito ao invés de um software livre nesses casos?” Porém a ideia da liberdade - atrelada ao conceito de FOSS - tem um princípio intrínseco importante para a confiabilidade: a transparência. Veja bem: uma vez que você pode ver o código-fonte, você pode ver todo o funcionamento do programa. É como o cientista que te dá uma conclusão de estudo e mostra os dados do estudo. Você pode até ouvir a Pfizer dizer que a vacina dela contra COVID-19 é segura, por exemplo, mas os dados não estão disponíveis para você consultar. A conclusão é gratuitamente exposta, mas você precisa confiar na palavra de quem disse e isso limita a troca de informações tão importante para o progresso do conhecimento.

Os desenvolvedores de FOSS têm o princípio de que todo mundo tem o direito de saber o que está rodando em suas máquinas pessoais. A pessoa pode não saber escrever uma linha de código - assim como o leigo não saberá os termos técnicos de uma pesquisa -, porém os dados estão lá caso um dia ele aprenda os termos ou até mesmo queira mostrar para alguém que saiba sobre o assunto.

O que eu gosto do FOSS

Se você visitar a área de softwares que uso, você vai perceber que tenho uma preferência por FOSS. Godot , OpenToonz , Krita , Blender e Tahoma2D são softwares FOSS - e também são gratuitos. Tenho outros softwares que uso no dia a dia que são FOSS e que ajudam bastante na minha produtividade - como Neovim que está sendo usado para editar todo o conteúdo deste site desde o conteúdo até a última lógica programável (sim, é apenas um editor de texto extremamente poderoso), Scribus como software de diagramação de arte para impressão (ou PDF), Inkscape para arte vetorial etc.

Existem diversas opções de FOSS - e a cada dia aumentam mais e mais as opções disponíveis. A graça de tudo isso está no fato de que tais softwares podem ser melhorados pela comunidade de programadores que sempre estão procurando melhorar seus produtos. Também é importante ressaltar que os FOSS permitem o acesso a ferramentas que, talvez, caso fossem pagas teriam um público muito menor. Eu mesmo jamais teria acesso a edição 3D considerando o preço de produtos como 3D Studio Max e Maya, ou então não conseguiria começar a produzir animações de altíssima qualidade e a nível profissional enquanto estudando em casa e economizando dinheiro (minha mesa digitalizadora é uma Wacom One basicona de 2014, a mais barata da Wacom possível na época, e ainda foi um presente do meu pai) usando um ToonBoom da vida. Os FOSS me ajudaram a ter acesso a ferramentas de produção artísticas e me incentivaram a estudar tais produções.

Quer um exemplo ainda mais legal? Eu sempre tive dificuldade em mexer com partitura - e escrever não seria meu forte. No entanto, quando descobri o MuseScore isso mudou. Hoje eu ainda não sei ler muito partitura, mas pelo menos posso escrever pra quem sabe ler.

É claro, talvez o software gratuito possa ser suficiente para o dia-a-dia, mas poder saber que esses programas pertencem a mim e que eu posso fiscalizar o código (mesmo que eu não faça muito isso) é de um alívio muito grande e dá a esperança de que o uso de tais softwares pode ser liberado para muito mais pessoas que seriam barradas por sua condição econômica.

Conclusão

FOSS são excelentes fontes de conhecimento e comunicação por terem seu código liberado para qualquer um ver. Além disso, a facilidade com que a maioria dos softwares é melhorada e atualizada por uma comunidade cada vez maior de programadores altamente habilidosos e o cuidado constante em manter a segurança de tais softwares é um contraste excelente em relação a corporações que cada vez mais querem esconder o que fazem com seus produtos - como a Intel que usa um backdoor nas CPUs para infectar máquinas pessoais e coletar informações do usuário2.

Também tenho o propósito de ajudar as pessoas a usarem tais softwares com o conhecimento que tenho (que é pouco, mas já é alguma coisa).

P.S.: O meu gerenciador de jogos - Lutris - também é FOSS. E agora você tem certeza que eu uso uma distro Linux em meu PC.

P.S. 2: Sim, este site também tem o código aberto .


  1. https://itsfoss.com/what-is-foss/  ↩︎

  2. https://hackaday.com/2020/06/16/disable-intels-backdoor-on-modern-hardware/  ↩︎



Tags: software livre open source